sábado, 24 de dezembro de 2011

Novo Ano Novo

Eu poderia muito bem escrever um lindo texto de final de ano, mas prefiro colocar aqui os textos que escrevi próximos a data de 31/12/2011:





Mas...
"Eu não diria que meu ano foi dos melhores.

 Mas tenho certeza de que foi sem arrependimentos.
 Eu não diria que neste ano não houve erros. 

Mas com certeza houve aprendizados.


Eu não afirmaria que este ano não teve lágrima e desentendimentos.
 Mas tenho certeza que houve sorrisos relembrando histórias de anos passados.

Eu não diria que este ano não houve perdas. Mas notavelmente houve mais conquistas e esperanças.
Eu não diria que foi perfeito. Mas confirmaria que cada dia foi único, essencial e especial."




Um Ano

"Um abraço a todos os solitários.
Um sorriso a todos os deprimidos.
Um "bom dia" a todos os perdidos.
Um beliscão em todos os que não acreditam.
Um beijo em todos com corações partidos.
Um olhar para todos aqueles com crise de existencialismo.
Um sorriso de criança para todos que perderam a fé.
Um caderno para todos os poetas anônimos.
Um avião de papel para todos os sonhadores.
Uma lâmpada a todos cheios de ideias.
Uma flor a todos que acreditam no Mundo.
Um grão a todos os insaciáveis.
Um "até logo" para os que não querem sentir saudade.
Um "adeus" para todos que se foram sem se despedir.
O passado para todos aqueles que não aprenderam com os erros.
O presente para todos que se sentem esquecidos.
O futuro para os incertos.
O ano para todos os que dizem que vão mudar."




Sem promessas

"Não vou prometer a eternidade, mas lembranças e memórias eternas.
Não vou prometer estar sempre presente, mas matar a saudade.
Não vou prometer sempre verdades, mas mentiras para boas surpresas.
Não vou prometer que tudo ficará bem, mas farei tamanho esforço para ficar melhor.
Não vou prometer que não irei cometer erros, mas coragem para admiti-los.
Não vou prometer sempre sorrisos, mas lágrimas de felicidade.
Não vou prometer criar planos concretos, mas realizar planos abstratos.
Não vou prometer fazer desse Ano diferente, mas único como todos os outros!"

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

SEGREDO



E vou contar um segredo aos curiosos e aos duvidosos.
Contar porque seu sorriso desperta com uma lembrança
Ou uma lágrima escorre no rosto da saudade.
Vou explicar porque estamos tão perto dos sonhos,
mas tão iludidos em não realiza-los

Vou te contar o segredo do universo, das estrelas, da vida
Vou falar dos olhares e dos gostos do amor.
Vou tentar explicar o segredo da palavra calada
E do silêncio de um grito
E você pode contar para todo mundo, mas não cabe a mim decidir se eles vão acreditar

Vou falar sobre o percursos dos rios da fé e da coragem
Vou contar sobre o que os ventos dizem quando sopram
E as batidas de seus coração ao ver aquela pessoa
Vou cochichar o segredo que as raízes das velhas árvores guardam de nossa história
Vou contar o que faz você se aproximar de desconhecidos e torna-los amigos.

Falar sobre o mar que leva uma garrafa com uma mensagem
Sobre o bater das asas de um borboleta
Sobre uma gota a equilibrar-se harmonicamente na folha
Vou contar o segredo da natureza...da natureza humana
E você pode contar para todo mundo, mas não cabe a mim decidir se eles vão acreditar

Vou contar de onde viemos e para onde vamos
Vou contar sobre o poder da crença
Falar porque o Mal as vezes vence o Bem
Vou contar o segredo que te prende ao hoje e o impede de enxergar o futuro.
Falar sobre o arrependimento, a presença, o ato e a ausência.

Cochicharei sobre a vida na morte, mas principalmente a morte na vida
Vou contar sobre as guerras políticas e suas mentiras
Sobre as guerras humanas e suas loucuras
Contarei o segredo da raiva que se transforma em ódio e o concretiza em morte
E também falarei o segredo da bondade que se transforma em amor e se concretiza em abraços.
Mas não cabe a mim decidir se irá acreditar

O segredo é o maior mistério que você possui: a VIDA.

(Tem coisas que a própria ausência, o inexplicável, o incompreensível expõem)




Por que navegar?





Nas águas de meu mar, de vosso mar e de nosso mar?


Porque quero me aventurar nas águas profundas de vossas dúvidas. Quero navegar na incerteza de vossas palavras. Quero mergulhar na imensidão desta inexatidão.

Sou uma navegadora, uma capitã. Escrevendo e desenhando os mapas de minha alma. Meu percurso é a 
realidade, mas meu destino é a imaginação.


Do que adianta o mar sem os ventos certos e errados para me acompanhar?
A terra firme é apenas para adormecer. Meu caminho são as águas, mas me pergunto se minhas ondas não são feitas de nuvens e estrelas a me levar.

sábado, 26 de novembro de 2011


Impossível imaginar que fosse assim.
Você aparece e me tira de mim.
Ouvirá sussurros do meu coração?

Durante as noites estreladas que não nos vemos,
Abraçamos em sonhos tentando encontrar nossa realidade.

Cuida de mim como se não existisse a saudade.
Ouvirá de mim as mais sinceras verdades.
Sentirá também estes batimentos inconstantes?
Tudo é único e diferente.
Ainda não sei decifrar esse sentimento "irritante".

Mais uma boa história guarda um segredo.
Almas que se encontram,
Relembram o que muitos se esqueceram.
Tentará alguém nos provar o contrário?
Incompreensivo a grandeza de um sentimento.
Navegue contra a corrente
Surpreenda a sua realidade com beijos, abraços e olhares.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Distância



Ouça o silêncio pronunciado de meus lábios
E a saudade a palpitar de meu coração
Nossos abraços já não estão laçados
Mas minha alma acredita nesta paixão

Do que adianta a ausência na presença?
Mais vale a distância de um dia
Do que um beijo sem amor
E a presença se confirma na ausência

E que sejamos livres, mas juntos
Sozinhos, mas unidos
Pois cada abraço é um presente
E cada presença uma lembrança

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um anjo




Não cabe a mim decidir se irão ou não acreditar. Mas coloco aqui como os fatos foram relatados a mim. 



Quando criança ouvi histórias sobre princesas em seus castelos, bruxas, dragões, príncipes, fadas, duendes e tantos outros seres imaginários. E, até hoje, eu prefiro acreditar neste mundo cheio de vida do que nesta realidade cheia de dor. Mas nenhum destes contos me chamava mais atenção do que o que meu avô me contava.

Dizia meu velho caduco que entre os homens existiam anjos. Mas que era impossível o enxergarmos assim porque a humanidade tinha a incrível tolice de dar nome a tudo até aquilo que não pode ser explicado. Então me contava ele que nem sempre o anjo assume a forma humana, as vezes pode ser um pássaro ou um cachorro. Mas a maioria em si gostava de ocupar o corpo humano. Eles adoravam o sentimentalismo, a dúvida, a insegurança, a criatividade do homem. Mas o que eles sempre adoravam na humanidade era a raiva que sentimos e com a mesma grandiosidade somos capazes de perdoar.

Meu velho me disse que o anjo dele chamava-se Sophia, sua melhor amiga. Eles se conheceram no ensino médio, mas tiveram a vida inteira de sorrisos, lágrimas, recordações, momentos e despedidas. Meu avô me contou esta história quanto eu completava meus dez anos, no mesmo dia em que Sophia faleceu. Eu estava junto com meu velho no hospital.



Eu poderia dizer que vi uma luz transbordando do corpo de Sophia para dentro do coração do meu avô, mas seria uma antiga lembrança de uma infância. Afinal eu era apenas uma criança tentando acreditar em contos de fadas. Todavia, ainda insisto em repetir o que Sophia disse ao meu avô:

"Não é preciso acreditar em contos de fadas para ter coragem para enfrentar este mundo. Não é preciso sonhos para se ter certeza de que está sonhando. Nem de momentos para se ter a convicção de que estamos vivendo. Basta apenas a presença de um anjo em especial para mostrar-nos que não precisamos de asas para voar. O que você abraça com amor e chama de amigo, companheiro ou família é um anjo que propositalmente caiu em nossas vidas, mas acidentalmente apaixonou-se por você."

Imagine que basta apenas um e somos rodeados por muitos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu e você



O que me atrai em você não é o que vejo
E sim o que tenho que desvendar ou com o que o tempo você irá me revelar...

O que me faz gostar de você
não é somente o nosso beijo, mas são seu lábios pronunciando cada palavra
de um passado que não participei, de um presente que convivo e de um futuro em planos abstratos...

O que me faz querer a sua companhia é mais do que sua presença
É a sua ausência, sua persistência e sua paciência...

O seu perfume me abraça, os teus braços me perfumam
O seu olhar me beija, e sua boca me observa

O que me faz estar com você são nossas brincadeiras, nossos sorrisos, nossos olhares
íntimos, únicos e compartilhados. Sem substitutos.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Naquela Noite. Naquele Dia.



Naquela noite ela gostaria de não ter chorado por tristeza e não ter deixado a última lágrima cair. Nem de tê-lo abraçado sem dizer "eu te amo". Também não gostaria de ter discutido com o pai sobre o namoro que não dava certo. Ou com a mãe sobre as suas cobranças. Também não gostaria ter ignorado os irmãos e ter recusado ajudar a irmã, quando a única dúvida que ela tinha era apenas uma opinião sobre o que vesti para encontrar alguém especial.

Naquela noite ela não gostaria de ter bebido para esquecer quem ela adorava lembrar. Não gostaria de ter conversado com desconhecidos na tentativa de encontrar velhos amigos. Não queria contar segredos de suas amigas nem envergonhá-las. Não pretendia sair acompanhada da falsa felicidade nem se enganar.

Naquela noite ela não gostaria de ter entrado no carro com uma garrafa de uísque. Nem beijar um homem que não conhecia e que dizia a todos que eram amigos. Naquela noite desejou não estar chovendo. Chovendo na escuridão da sua alma perdida. Naquela noite desejou não encontrar crianças nas ruas que buscavam esmolas de amor. Naquela noite não pretendia fechar os olhos, não pretendia soltar as mãos do volante e nem se deixar levar pela loucura de uma dose de infelicidade.

Naquela noite ela não pretendia ficar cega. Nem ser salva por crianças de rua. Não pretendia sobreviver...

Naquele dia ela gostaria de se lembrar dos nomes de quem lhe salvou. Gostaria de chorar e chorou. Gostaria de abraçar e dizer "Eu te amo" e abraçou e disse o que deveria ser dito. Gostaria de ouvir mais seus pais e passou a ouvi-los. Gostaria de abrir os olhos e enxergar, mas só veria a escuridão. Não era possível lembrar dos anjos, pois os cacos de vidro lhe tiraram a visão de seus rostos.

Naquele dia ela "enxergava" como ninguém enxergaria a vida. Ela sentiria a segurança e a certeza que ninguém compreenderia. Mas a partir daquele dia ela jamais esqueceria daquela noite.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sou uma menina



Sou uma menina que acredita em milagres.
Que lembra de lugares e momentos que nunca existiram,
Mas que fazem parte do meu desejo de realidade.

Sou a mesma menina que sorrir quando não há motivo,
apenas pelos simples motivo de viver.

Sou aquela sonhadora que acredita na paz mundial, na igualdade.
E por que não no amor?

Sou aquela criança que não aprendeu a crescer
Ou cresceu rápido demais
Se preocupando com aquilo além do seu limite.

Sou, também, a lágrima que evita cair. 
A esperança que se perde. E o medo.
Mas jamais serei àquela que desistirá de tentar.

Porque se acredito posso fazer acontecer.
Simples como um sorriso, um olhar, um beijo.
Mas complicado tanto quanto a saudade, a realidade e o amor.
Sou apenas uma menina aprendendo a realizar.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Você



Posso te contar meus segredos, da minha infância e dos meus temores.
Te falar do meu dia, dos meu amigos e da minha família.
Posso te beijar e também brincar quer não quero beijar-te, mas no fundo é apenas um charme.
Te abraçar, andar de mãos dadas, ouvir seu coração.
Posso ouvi-lo tocando e cantando John Mayer só para mim.
Ter sua presença mesmo na ausência.
Posso com e por você apaixonar-me novamente.

Medo, ainda tenho. E quem não tem?
Mas vou arriscar. Afinal é minha felicidade vivendo o HOJE.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Até quando...

Fiquei um bom tempo pensando como escrever o sentimento de indignação e ao mesmo tempo de conformidade de um povo que se diz brasileiro somente nas suas belas qualidades. Porque levamos o símbolo da pátria no peito quando o assunto é futebol, exuberância natural ou a alegria desse povo. Todavia, pagamos línguas de "bons" quando na verdade somos rodeados por "maus".

É engraçado como promessa de político tem tanta voz e firmeza e nunca vem acompanhado de um "talvez" ou "tentaremos". Sempre é "faremos" e "conseguiremos". Sim, conseguimos muita impunidade, corrupção, sem vergonhisse (o que na verdade nunca nos faltou). E, infelizmente, não fizemos nada. Fizemos é esperar na fila de hospitais públicos, fizemos é ficar calados quanto aos salários de professores, bombeiros e policiais. Fizemos passeatas mudas na internet. E sempre dizemos com tanta veemência em nossa voz: "Sim, tentaremos!"

Agora saiba que tentar já não é uma opção. É na verdade uma negação na voz de um povo que se diz "povo".

Tem certas coisas que eu não entendo em um país que se diz democrata em todos os seu limites e territórios. Me dizem por que quem decide nossos salários são aqueles que estão sentados em cadeiras almofadas, de terno de mais de R$ 2000,00 e sob o ar condicionado? Enquanto que estes mesmo indivíduos também decidem o próprio salário. Afinal, se eu pudesse escolher quanto eu ganharia por que colocaria valores baixos?

Por que uma pessoa que rouba dinheiro de um banco fica presa durante anos e àqueles que roubam dinheiro público tem apenas o mandato cassado?

Desde de pequena me ensinaram que é feio roubar. Hoje me pergunto se isso é mesmo verdade. Roubam dinheiro, casa, pessoas, identidades, vidas. E o que eles recebem em troca? A fiança paga. Nada como poucas horas numa cela de luxo separada dos outros detentos e uma vida inteira de fama, dinheiro e orgias. E eu aqui, sentada escrevendo o que a maioria irar ler, sentir-se momentaneamente comovido, mas tudo irá passar até que outra indignação nos venha perturbar.

E nesse país imundo de corrupção. Me deparo ainda com notícias de jovens mortos pela drogas, pelo álcool, pela imprudência, pela violência. Me deparo com prostituição de menores, estupro e pedofilia. Me deparo com o tráfico de animais e maus tratos. Me deparo com a poluição e a destruição. Me deparo com a mentira, com o sangue e com o silêncio.

Proponho então que meu povo prove-me o contrário. Prove que esta jovem desiludida com o valor da palavra "nação" estava enganada. Que quando meus filhos e netos estiverem estudando eles tenham a oportunidade de ler algo grandioso nos livros de história. De um PAÍS em que todos se reuniram para reivindicarem a justiça, a verdade, a paz, a honra, a democracia, a igualdade. De um povo que uniu-se numa passeata de todas as lutas.

Quero saber se dia 24 de dezembro de 2011 iremos ficar calados? E se apenas tentaremos. (Afinal é véspera de Natal).





domingo, 24 de julho de 2011

ENEAD 2011

Hoje vi o final de um filme que tem tudo haver com o fim do congresso do qual participei. A última frase dita pela protagonista foi: "todo final de uma história é o começo de outra". E, realmente, a experiência que tive no Encontro Nacional dos Estudantes de Administração - ENEAD foi memorável e inesquecível. Gostaria de dar os parabéns a todos os organizadores, palestrantes, patrocinadores e colaboradores que de alguma forma contribuíram para o evento.

Talvez o que eu venha a dizer não se generalize a todos os estudantes que participaram do ENEAD, mas para mim as palestras despertaram um a voz que estava abafada dentro da minha alma. Todos os ensinamentos e discursos dos quais assisti focaram em cinco verdades: sonhos, perseverança, coragem, compartilhamento e caráter. Cinco verdades, que infelizmente, para nós jovens, às vezes, parece ser um mundo imaginário e impossível. Por que sonhar é para os tolos? Ter perseverança é para os fracos? Coragem é inútil? Compartilhar é retroceder? E caráter ninguém tem? Será mesmo esta a única verdade? Não depois do que assisti.

Vivemos em um mundo em que temos fácil acesso a tudo e a todos. Podemos expor nossas idéias e ideias. Podemos dizer "eu te amo" pra um milhão de pessoas e mais outros um milhão "curtirem". Podemos criticar sem censura e sem medo de repressão. Podemos fazer "passeatas" online ou até acabar com a ditadura de um país. Podemos sim, mas não fazemos realmente. Sim, temos fácil acesso a tudo e a todos, mas temos medo de realmente concretizar nossos passos e objetivos.

Não pensamos pequeno porque nossas idéias são infinitas. Talvez, pensamos, facebookamos, orkutamos, twittamos e blogamos com a coragem de um leão, mas o medo exagerado de um humano. Temos o mundo em nossa mãos. Não entenda-o apenas como ser tecnológico, mas principalmente como um ser vivo. Que respira, que sente, que chora e que responde.

Não é só a natureza e aos desejos próprios a que devemos respeito. Mas essencialmente ao próximo. Respeito não por educação, e sim por e com amor. Quantas crianças ainda serão vítimas do crack? Quantos políticos ainda sentaram sobre nossos esforços?  Quantos jovens ainda irão preferir as armas e drogas do que um livro? Quantos bebês e idosos ainda morreram em nossos "ótimo" hospitais públicos? Quantos aplausos e gritos daremos a uma seleção de ricos, mesquinhas, hipócritas e políticos? E tudo o que o nosso país e o resto do mundo pede é: "suplico que não me mate não, dentro de ti".

Esse quarto dia foi o final de uma história, de um congresso e de uma viagem. Mas foi o começo de novas amizades, de mais histórias e, principalmente, o renascimento de um jovem coração (pelo menos para mim). Obrigada, mais uma vez, a todos os que participaram do ENEAD 2011. Mais do que jovens com idéias, somos jovens com ações.

domingo, 17 de julho de 2011

Apenas brasileiros



Eu vou começar xingando, porque eu realmente preciso dizer isto: Puta que pariu! E eu tenho certeza que não falo só por mim, mas por um monte de brasileiros que viram o jogo do Brasil contra o Paraguai.

Confesso sim que me entristeceu ver a nossa seleção ter tantas oportunidades de gol e quando chega nos pênaltis erram quatro. Mas percebendo melhor o que me entristece não é o erro e sim a esperança que depositamos. Nunca vi nenhum jovem, adulto ou idoso ter e sentir tanta raiva acompanhando uma decisão no Plenário com  políticas a respeito de corruptos. Nunca vi juntar tanta coragem e garra para reclamarmos do alto imposto cobrado sobre todos os produtos dos quais consumimos. Nunca vi juntar todo o povo para lutar pelos diretos das condições mínimas de saúde e educação. A única oportunidade que tive de ver algo tão grande assim foi em livros de História a respeito das Diretas Já.

Sou apenas uma brasileira. E acompanhei todo o jogo. Gritei, xinguei e também disse "quase". Não vou parar de torcer e nem de gritar, porque querem ou não o futebol é a única coisa que nos une (e entristece). Mas é com certa dor no olhar que admito: somos APENAS brasileiros. Porque brasileiro mesmo é aquele que canta o hino com a mão no peito, é aquele que luta pela vitória e pelos direitos, é aquele que sabendo do fundo do poço em que se encontra o país não deixa de defendê-lo. Somos, infelizmente, uma torcida, uma platéia, um público. Que vaia, grita, chora e "curti".

Quero ver se junta a mesma multidão nas ruas de Brasília quando a seleção é campeã da Copa do Mundo e para quando ficam aqueles políticos (com o cú na mão) decidindo o salário mínimo?

E continuo dizendo: sou APENAS brasileira.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Somos livres



Há algum tempo eu escrevi a respeito de "abrir mão" (http://larissaulhoa.blogspot.com/2011/02/abrir-mao.html). Disse que  uma pessoa aparece na sua vida capaz de transformá-la de tamanha forma que ela não te completa, e sim te complementa. Mas por razões maiores do destino e pela felicidade dessa pessoa tão querida, você deve abrir mão dela. Todavia eu não terminei o texto dessa forma. Terminei assim: "Um dia, quem sabe, o destino tome outro percurso e nos encontraremos sem compromisso.".

Não digo que isso aconteceu. Apenas digo que somos livres. Livres para nos apaixonar. Por quem quisermos, por quem nossos olhos encontrarem. E se nos encontrarmos no meio do caminho com essa mesma intensidade nos olhos. Eu apenas digo: agora, somos livres.

(A nossa liberdade é o que nos prende)

sábado, 2 de julho de 2011

Metade do meu coração



Faz um bom tempo que não escrevo. Hoje eu escrevo para os eternos apaixonados. Àqueles que, as vezes, são indecisos quanto aos sentimentos, mas que nunca deixam de se apaixonarem.

Metade do meu coração gostaria sinceramente que nossos olhos jamais tivessem se cruzado. Mas a outra metade insiste em te observar atentamente na tentativa de acontecer àquela troca de olhares. Você me incomoda de tal forma que me sinto confortável perto de você. E quando você me abraçar eu não sei se desejo te mandar afastar ou simplesmente virar e te dar um beijo surpresa.

Metade do meu coração quer continuar a te amar. E a outra metade tem certeza disso. Enquanto as metades não se encontram, eu vou viver essa indecisão inconstante. Mas jamais vou deixar de me apaixonar pelos olhos apaixonados de quem eu encontrar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Oração

Intextualidade com a música "Oração" (http://www.youtube.com/watch?v=QW0i1U4u0KE)da "Banda mais bonita da cidade". Da qual a música ficou reconhecida pelo vídeo interpretado por Rafinha Bastos com a "Banda mais bonita da internet".

Oração

Meu mundo, esta é minha primeira oração.
Pra tentar salvar a sua reputação
A dignidade não é tão simples quanto à ação
Nela cabe o que não cabe na decepção.

Minha família, esta é minha segunda oração.
Pra tentar salvar o nosso coração
O amor não é tão simples quanto uma canção
Nele cabe o que não cabe nesta oração

Meus amigos, esta é minha terceira oração.
Pra tentar salvar a nossa paixão
O inicio do amor não é tão simples quanto à solidão
Nele cabe, às vezes, o perdão.

Meu “eu”, esta é minha quarta oração.
Pra tentar salvar a minha imaginação
A criatividade não é tão simples quanto um ano
Nela cabe o que não cabe em todo ser humano.

Meu futuro, esta é minha quinta oração.
Pra tentar salvar a inexatidão
A incerteza não é tão simples quanto o presente
Nela cabe o que não cabe na minha mente

Esta é minha última oração.
Pra tentar salvar um perdido coração
A esperança não é tão simples quanto à lembrança
Nela cabe o futuro de uma criança.

                                                         Larissa Ulhôa

domingo, 15 de maio de 2011

Perdão



Faz algum tempo que não escrevo no blog. Estava procurando e tentando encontrar um significado, uma razão, um sentimento para voltar a colocar minhas palavras. E percebi que minha própria existência e experiência falava por mim. Coloco aqui então algo que as pessoas precisam lembrar, antes que seja tarde.

A raiva e o ódio realmente destroem o ser humano. Mas o que nos faz, às vezes, morrer é o excesso de orgulho. É quando nosso coração sabe a resposta e a solução, mas a razão bloqueia o caminho. É quando sabemos o que precisa ser feito, mas acreditamos que se o fizermos estaremos sendo fracos. O orgulho excessivo é aquele que impede sua alma de sorrir, de amar, de ser feliz. E, o pior de tudo, de perdoar.

O excesso de orgulho é tão ingrato que ele não nos permite olhar e enxergar o nosso verdadeiro inimigo: nós mesmos. Preferimos culpar o outro e nos confortar nessa mentira do que admitir a nossa imperfeição. 

Perdoar não é visto como um ato de coragem, mas de fraqueza. Em algumas situações, não em todas, perdoar é admitir que em algum momento você errou e que seu erro ocasionou uma catástrofe maior realizada por outro. Por isso é mais fácil culpar do que perdoar. É mais fácil mentir e se iludir do que aceitar a verdade. É mais fácil afastar-se do que, por alguns segundos, sentir-se humilhado (o que não é verdade).  Sim, nós também confundimos perdão com humilhação. Enquanto que o primeiro é uma atitude de glória o segundo é de desprezo.

O pior em toda essa situação é que o orgulho nos afasta do amor. Dos verdadeiros amigos e, principalmente da família. Ele é uma droga que te mata aos poucos e te deixa, aparentemente, confortável na sua solidão. Algo que nunca imaginava ser possível já que "nenhum homem é uma ilha". Somos fortes em manter a aparência e vivermos em mentiras, mas extremamente fracos para abrimos nosso coração e admitirmos a verdade.

Sei que não posso obrigar ninguém a nada e nem tenho esse direito. Meu único direito é de dizer o que minhas palavras tentaram expressar o que se passa ao meu redor. Perdoar não dói, só engrandece a alma. Perdoar não é humilhar-se, mas sim se glorificar. Perdoar é o único meio de acabar com o excesso de orgulho e solidão. Por isso tenho apenas um favor: perdoe o pequeno erro, antes que o orgulho o transforme no maior erro de sua vida.

(O tempo esgota-se e orgulho mata. E quando for tarde apenas nos perguntaremos: E se? E se eu tivesse pedido perdão?)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Bons loucos"



Ontem a noite assisti um filme do qual recomendo a todos: A Ilha do Medo. Francamente o nome não atraiu muito meu interesse, mas já havia ouvido diferentes comentários sobre o filme e fiquei interessada para saber o que realmente me esperava. Confesso que fiquei intrigada.

Para quem não assistiu o filme a minha pergunta talvez não tenha lógica, mas ainda sim não o impede de pensar a respeito. A questão é: será que louco é aquele que inventa seu próprio mundo para não viver neste nosso mundo de loucuras ou somos nós os loucos porque aceitamos viver na insanidade deste mundo?

Hoje, nada mais nos surpreende. Podemos ficar perplexos por algumas horas e dias, mas nada que a mídia não possa mudar. Afinal ofender, xingar, insultar, gritar, brigar, espancar, aliciar, estuprar e matar é o que vemos todos os dias em noticiários e na nossa rotina.

Antes os esportes eram o caminho para a educação, hoje são para a violência. Antes a internet encurtava distancias, hoje encurrala inocentes crianças. Antes éramos conscientes, hoje somos zumbis. Porque aceitar é mais fácil do que criticar, em um mundo onde todos tem voz, mas nenhum quebra o silêncio. Somos loucos porque aceitamos, porque vivemos, porque ignoramos. Essa é uma loucura insana

Será que criar o mundo de fantasia realmente é loucura? Não seria medo? Ou fuga? Afinal somos mais covardes do que corajosos. Perdemos o sangue da luta, perdemos o respeito ao próximo, mas pior que tudo isso, é que perdemos a honra. Somos incapacitados de honrar a nossa dignidade, o nosso amor e a nossa boa loucura. Porque queira ou não, no fundo somos "bons loucos".

Somos "bons loucos" quando dizemos que amamos alguém em um mundo onde a maioria tem medo de se expressar. Somos "bons loucos" quando rimos sem piada, apenas por uma lembrança tímida. Quando damos o primeiro passo ao o que alguns diriam que seriam impossível. Somos "bons loucos", porque essa inexplicável loucura é o que nos mantém unidos.

Sejamos "bons loucos" com uma intenção maior. Acabemos com a loucura insana. Porque louco não é aquele que inventa um mundo com a sua loucura, mas aquele que destroí o nosso mundo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Estrelas



Me pergunto o que vou dizer aos meus filhos e sobrinhos quando me perguntarem qual foi a melhor lembrança da minha juventude. Neste feriado eu encontrei a resposta. 

É surpreendente como pessoas incrivelmente especiais aparecem em nossas vidas. Como conseguimos nos identificar com elas apenas pelo olhar e pelo sorriso. Como qualquer lugar fica bom sabendo que seus amigos estão ao seu lado. Seja na alegria ou no sofrimento. Seja dando tudo e até o sangue. 

É ótimo saber que podemos voltar a ser criança perto deles. Podemos jogar um vôlei improvisado, queimada ou  catar a bola em cima do telhado . Podemos até relembrar nossa pré adolescência nos divertindo com "verdade ou conseqüência" ou com a brincadeira da "mãozinha" (ticket nervoso). Ou podemos ser nós mesmo com uma dose de álcool no sangue para deixar-nos mais descontraídos. Estar dispostos para dizer a verdade e muitas mentiras no "eu nunca". Jogar truco não apostando nada, a não ser a certeza de uma boa companhia.

Preocupar-se com amigos que sumiram na madrugada escura e fria a procura de, nada menos que, água. Ouvir apelidos engraçados e inovadores como Foca e Simba. Fazer bebidas com xarope de maçã verde, água com gás e vodka. Ou uma versão simples do sex on the beach: tampico com groselha e vodka. Ou leite condensado, gelo, vodka e bala de halls. Ou suco de uva, groselha, tampico, xarope de maçã verde, uma dose de vodka e algumas gotas de limão. A questão não é seguir a mistura, mas inventar a sua.

É tomar banho de mangueira durante a noite e se divertir como se tivesse tomando banho de chuva. É dançar sem ligar para o que vão pensar ou dizer. É simplesmente ser você o tempo todo e a todo momento. Existe apenas duas regras na nossa companhia: ou você rir ou você chora de tanto rir.

Dançar forró em show. Subir nos ombros dos amigos mesmo estando de frente ao palco. Andar, dançar, olhar e beijar. Viver. Lembrar e guardar. E dizer tranqüilamente: eu curtir minha juventude.

Todos estes acontecimentos foram inesquecíveis. Mas dentre todos um se revela fascinante. Na madrugada deitar no chão junto com seus oito amigos, olhar as estrelas e ouvindo músicas memoráveis. Não era apenas olhando e sim enxergando. É fazer planos para o futuro com o brilho das estrelas iluminando o caminho; é relembrar histórias graças a luz das estrelas e; principalmente, fazer desejos para duas estrelas cadentes que passaram rasgando o céu na esperança de que todos aqueles momentos, aquelas brincadeiras, aquelas invenções, aqueles sorrisos e aqueles rostos nunca desaparecessem.



Sabe o que direi aos meus filhos e sobrinhos: depois de uma grande festa com seus grandes amigos deite no chão e observe a imensidão da noite iluminada pelas estrelas. Porque este momento lhe fará lembrar da grandeza da felicidade.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Horror no humor



No domingo assisti um programa de "comédia" do qual todos devem conhecer: Pânico na TV. Nunca tive interesse em assisti-lo, mas meu irmão estava no canal e vi a oportunidade, se assim posso dizer, de conhecer o programa. Eu não estou tão por fora como as pessoas acham. Sei que tem o Vesgo, o Silvio e o Fred Mercuri Prateado. É, só são estes que eu sei. Além das mulheres com nome de frutas.

Confesso que o programa é realmente engraçado. De tão idiota chega a ser engraçado. Vê pessoas sendo tiradas e os personagens fazendo ironia com os entrevistados é realmente cômico. Mas exatamente no dia que eu assisti, lá também estava o motivo para eu não querer assisti-lo.

O apresentador do Pânico da TV estava mostrando sua "indignação" quanto ao humor maléfico usado por seus colegas. Das várias atitudes idiotas e repugnantes de certos membros desta equipe alguém só foi tomar a noção da razão agora. Antes tarde do que nunca. A questão é que o humor deixou de ser engraçado e passou a ser trágico. Não significa mais risadas e sim ataques de raiva e principalmente VINGANÇA.

Sim. Vingança foi uma das palavras que vi saindo da boca do acidentado. Na hora pensei que ele tivesse parte da razão, afinal ele teve seu ombro reconstruído devido a "brincadeira" mal planejada. Pensei que ele fosse o coitado da história até saber que ele mesmo plantou o que colheu. Quando eu vi o reprise do que "coitado" já havia feito com seus colegas e, o pior de tudo, a forma como ele os trata no cotidiano foi assim que tive a confirmação que o programa sempre foi o que pensei: a decadência do ser humano.

Depois pais ficam se perguntando porque filhos são tão violentos, afinal violência agora é brincadeira. Jogue o computador na cabeça de um. Ou melhor, quando forem pescar, coloque o anzol na boca dele e finja que ele é um peixe. Acha pouco? Então dá logo uma paulada com um pedaço de madeira. Quem sabe assim salve o resto do mínimo de moral que resta nele.

O programa Pânico na TV é sim engraçado e cômico. Mas, infelizmente, alguns personagens e atrações perderam a graça. Perderam a risada. Perderam o humor. Ao invés disso, encontraram o horror.  

sábado, 16 de abril de 2011

Será que me apaixonei?



Confesso que estou apaixonada. Meu sorriso me condena. Minha alegria me expõe. Somente meu coração que me salva. Escondido, ele parece (apenas parece) seguro. Mas inseguro está. 

Seus segredos despertam minha curiosidade de tentar descobri-los. Sua timidez me intriga e às vezes me faz ficar até timída. Eu te escuto, mesmo sabendo que você está em silêncio. Te admiro em alguns detalhes que poucos notam como a sua capacidade de apenas observar. Eu te estudo nas suas poucas palavras ditas.

Tudo isso, por mais surpreendente que seja, também me irrita. Me irrita não saber o que está passando pela sua cabeça ou o que, pelo menos, você queria dizer. Me irrita não saber se você sabe o que sinto por você. Mas o que me irrita mesmo é não saber se isso é apenas uma brincadeira ou uma confusão de sentimentos ou é mesmo paixão.

No final das contas me pergunto: será que me apaixonei?

(Eu odeio a forma como eu te amo. E amo a forma como te odeio.)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

12 corações

Silêncio. Silêncio é a nossa resposta. Silêncio por não termos palavras. Porque morremos pela dor e pelo sofrimento. Mudos ficamos porque temos medo. Medo de despedirmos de 12 corações inocentes. E de todas os outros que foram tirados de nós, seja pela fome, pela morte, pela loucura.

Fracos e impotentes nos sentimos. Não somos mais heróis e até me pergunto se somos mesmo humanos. Estamos sufocados e engasgados. Parte de nossa alma morreu, pois os 12 corações foram silenciados. E me pergunto quanto de nossa alma ainda resta porque mingüamos em espírito.

Desespero no corredor da morte. Crianças correm para fugir dela. Para fugir de tiros premeditados. Para fugir da loucura de um homem. Mas 12 inocentes, 12 corpos, 12 corações pararam.


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           12 corações de crianças morreram.

(E outras ainda estão entre a vida e a morte.)

domingo, 3 de abril de 2011

Cansada



Eu estou ocupando meu tempo planejando o meu futuro. Tudo e cada passo é dedicado à planos. Mas estou cansada. Cansada de me enganar. De achar que sou uma ilha e que não preciso de alguém do meu lado. Estou cansada de ficar focada somente em meu profissional e esquecer-me do meu social. 

Também estou cansada de carregar o mundo nas minhas costas. Não quero ouvir mais problemas nem vivenciá-los. Quero uma solução, quem sabe até uma fuga. O único momento que me sinto livre é quando estou com meus amigos. É quando o sorriso sai livremente, quando a lágrima cai porque não aguento mais rir. É o único momento que realmente me sinto feliz.

Estou cansada de ver e ouvir brigas. Discussões. Chega de fingir felicidade de ter um sorriso estampado na cara. Chega de ser conhecida como "risadinha". Eu posso parecer feliz, mas NÃO estou feliz. Prefiro sorrir porque é assim que atraímos pessoas e amigos, pelos sorrisos. Somente pelo sorriso falso. Meu mundo particular na verdade esta desabando e eu só venho aguentando o mundo dos outros. Tenho ouvido desabafos e choros. Mas quando eu estou sendo ouvida? Sou ouvida pelo meu próprio silêncio.

Eu sou realmente apaixonada pela vida e pelos seus milagres. Mas cada dor que aparece para mim é um terremoto. Eu choro por dentro e grito em minha solidão. Nem meu corpo mais aguenta tamanha pressão. Minha cabeça explode em preocupação. E eu sei porque....

Porque minha felicidade foi e sempre será feita pela felicidade dos outros. Pelas pessoas que eu amo. Pela minha familia e amigos. Pelos meus colegas e conhecidos. Pois queira ou não eu amo cada um de uma forma. Pois cada um faz uma mudança no meu mundo. Mas tenho que lhe dizer-lhes: Estou cansada!

E não sei quanto tempo irei aguentar. Desistir eu não irei desistir. Mas de alguma forma eu irei escapar. Meus ouvidos não irão escutar e meus olhos não vão enxergar. E, mesmo assim, eu sei que serei incapaz de não sentir.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Que tamanho somos?



Acredito que todos sonhamos. Sonhamos porque acreditamos numa vida melhor e em um futuro mais promissor. Porque sonhar é libertar-se do universo real e comum. É acreditar que é possível mesmo quando todos dizem que não. É quebrar preconceitos e inovar os ideais. Mas,às vezes, em um mundo cheio de dificuldades, frustrações e dores, sonhar acaba se tornando difícil e banal. Acaba que sonhar é apenas um sonho  dos esperançosos.

Diante disso tudo surge o medo. E nem mais sonhar queremos. Porque temos medo da luta, da batalha, do percurso. Mas temos medo mesmo é de desistir. De falar pra nós mesmo que não fomos capaz, quando ACREDITÁVAMOS que éramos. Perder faz parte da vitória. Caia, mas levante-se. Se você foi capaz de correr a frente do que desejava, de caminhar nos percursos mais duvidosos e incertos, de escolher mesmo quando parecia não haver escolha; apresente-se. Porque você, sim, é um vitorioso. Desistir sem nunca ter acreditado não é vitória. É vexame. Porque este é o verdadeiro medo.

Logo, tenho uma dúvida: será o sonho, grande demais para um indivíduo?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Passaremos pelo mundo



O milho e a cana estão ocupando terras
Produzindo combustível "ecologicamente correto"
Mas enche o bolso de milionários banais
E a fome do mundo aumenta ainda mais

Eu vejo pessoas criticando o avanço da tecnologia
Vejo jovens reclamando por desejos mesquinhas
E neste mesmo mundo existem pessoas com coragem
E jovens que por redes sociais conquistaram a liberdade com mais que mensagem

Tem dias que abalam o nosso interior
Mas existem terremotos que matam milhares
Vejo água invadindo casa e destruindo o avanço 
E afirmo: quanta força e esperança para reconstruir os pilares.

Mundo meu
Mundo seu
Mundo

Começou com o muro de Berlim caindo sobre a divisão do mundo
Um homem negro tomou posse da presidência nos Estados Unidos
Uma mulher presidente do Brasil
Será apenas notícia ou caminhamos para o futuro de sonhos não perdidos?

Hoje crianças crescem encubadas em computadores
Jovens se desenvolvem em diários não-pessoais no Twitter
Adultos tentam se enturmar nessa confusão
Será mesmo informação ou uma decadência percepção?

Os grandes líderes ficaram esquecidos
Os livros virarão relíquias
Poetas tornam-se latim
E nós passaremos...

Meu mundo
Seu mundo
Mundo



sábado, 26 de março de 2011

Apenas 1h



Eu tenho exatamente 38 minutos para escrever sobre uma atitude. O mundo esta se unindo hoje em favor de uma causa. De um bem maior. Todos por um. Esta é a hora do Planeta.

Para alguns pode parecer uma atitude idiota e até sem significado. Mas apague as luzes e reflita por algum momento. Não imagine um lugar cheio de vida e sorrisos. Não imagine uma árvore, não imagine uma cachoeira, nem um rio, nem um mar. Não imagine uma pedra, um tronco ou uma folha. Não imagine um cachorro, um gato ou um pássaro. Não imagine uma joaninha, nem um gafanhoto e muito menos uma lagartixa Não imagine as mais belas montanhas nem as mais lindas florestas. Não imagine as dunas de areia Não imagine o gosto daquela fruta saborosa nem a sua textura. Seria mais fácil se imaginássemos. 

Temos a habilidade de imaginar porque o planeta nos proporcionou a imagem e o momento. Imagine se este escuro fosse eterno? Se não houvesse se quer um sinal de vida? Apenas a sua respiração e o seu silêncio. Bem vindo a verdadeira solidão.

As luzes estão apagada da mesma forma quando nos calamos quando não temos palavras, ou choramos quando as mesmas somem. As luzes são o nosso silêncio para que o mundo e todos do mundo ouçam o nosso bem maior: o PLANETA.

(Não é tarde para apagar as luzes)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Admiração



O sinto algo estranho dentro de mim.  Uma pulsação diferente no meu coração. O meu sorriso parece ter mais brilho. E meus olhos mais vida. 

Eu sei que não houve um tempo certo e exato para me explicar. De lhe dizer onde minhas simples palavras não podem tocar. Onde nenhuma razão pode circular nas veias e artérias de um coração cheio de paixão. E por mais que eu enrole em palavras e em frases complexas e incompletas é impossível explicar-me. Como dizer à amigos que me sinto feliz por que amo mesmo não sendo amada? Como te explicar que meu mundo mudou com a sua reaparição, mesmo não tendo a sua presença?

Talvez, como já tente me explicar para alguns, seja mais admiração. Como das outras vezes. Ou talvez não. Mas não quero pensar no que pode ser ou vir a ser. Estou mais preocupada com a sensação estranha que me toma. Com a felicidade que me transborda.

E como venho escrevendo "nós ficamos melhor juntos, mas não cabe a mim e não depende de você o que o destino esta prestes a escrever". Se o amor surgir como a esperança que tenho ou se no meio do caminho o despertar da amizade for maior minha felicidade ainda sim permanecerá. Porque o futuro é incerto e só posso agradecer a todos e a você pelo presente que estão me proporcionando.

Obrigado a todos, sem exceção, por despertarem minha admiração.



segunda-feira, 21 de março de 2011

À Lua



Eu vejo um brilho intenso no céu escuro e adormecido pela noite. As nuvens tentam cobrir sua luz, mas a majestade impõe seu reino. O tom azulado misturado com o amarelo desperta a curiosidade dos atentos que a observam. Tão longe, mas tão tocante. Esta esfera irregular ilumina-me e como pudesse ela me ouvir eu digo: "Como a Lua está bonita!".

O simples elogio traz novos observadores do milagre da perfeição. Mas não é só a curiosidade que desperta em cada um de nós. Inexplicavelmente cada um abre um sorriso singelo como se pudéssemos agradecer por aquela imagem, aquela majestade. Lembranças boas nos tomam conta e a Lua nos permite o incomparável.

E meu olhar curioso e dos demais observadores nos proporciona uma conversa repleta de luzes, brilhos e sorrisos.

Um obrigado à Lua por iluminar-mos de felicidade quando, às vezes, o nosso céu está muito escuro para notá-la.

domingo, 20 de março de 2011

Onde vive?





Eu ouço tiros lá fora. Ouço gritos em cima de um caixão. Eu vejo lágrimas caindo sob o chão rachado. Me pergunto se aquela gota trará alguma vida. Se uma flor ou uma esperança irá nascer da dor. Onde vive o amor?

Às vezes meu silêncio faz eco na solidão. Consigo escutar minha respiração. Minha voz sufocada na minha garganta. Me pergunto se jovens são realmente corajosos ou se suas palavras e as minhas ficam somente em papéis sendo apenas uma miragem. Onde vive a coragem?

Estou cansada e ainda penso que tenho muito que viver. Olho famílias se desatando, se rompendo. Lágrimas de sangue sobre o chão do lar. Me pergunto o que o futuro me aguarda e se para a união eu conseguirei correr atrás. Onde vive a paz?

Eu não sei se consigo acreditar em todas as minhas mentiras de criança. Sei que ela ainda vive dentro de mim, mas às vezes chora. Chora pelo mundo. Chora em silêncio. E ainda sim conservo o sorriso de uma criança. Onde vive a esperança?

Há quanto tempo não vejo um sorriso apenas pela admiração do dia. Pelo milagre da vida. Estamos ocupados demais com o nosso tempo. Não conseguimos ver a alegria e acreditamos mais na maldade. Onde vive a felicidade?

(Só porque não vemos não significa que não existe. Os significados mais belos da vida estão na admiração dos sentimentos mais sublimes. Mas, acima de tudo, estão na sua libertação e concretização.)

sábado, 19 de março de 2011

Sabe o que eu queria?



Queria acordar todo dia com um abraço caloroso de uma pessoa amada.
Andar pelas ruas e vê uma beleza rara, ou simplesmente perceber que ela sempre estava ali pelo caminho

Queria poder dizer "eu te amo" sem medo de rejeição e com mais certeza
Encontrar com velhos amigos para relembrarem um passado que nunca realmente se tornou pretérito

Queria viajar pelo mundo sem rumo e para todos os destinos
Ver um pôr do sol junto com a pessoa amada sob o capô de um carro

Queria juntar a família para soltar muitas risadas
Acreditar que ao sair à rua minha vida ainda sim estará segura

Queria gritar, dançar, cantar sem que ninguém pensasse em loucura
Saber a hora de dizer o que deve ser dito

Queria poder acertar mais em vez de insistir em erros tolos
Me desapaixonar com a mesma rapidez com que me apaixono.

Fugir de certas mentiras e encontrar as mais sinceras verdades
Queria (realmente) estar ao seu lado

Respire fundo



Você já pensou que sua vida é como uma música? Um som incerto, mas perfeito para uma história. Criando linhas, palavras, poesia.

Respire fundo. Perceba os pequenos detalhes. A incrível sensação do toque. Sob o liso, o áspero, o rústico. Saborei o gosto da água. Invisível aos olhos. Use sua percepção além da rotina. Da sua retina. Sinta o paladar azedo e doce da vida. Aprecie o cheiro do perfumes das flores e das pessoas. Toque um coração. Com a alma ouça a paixão. Faça da sua vida não um quebra cabeça de uma memória, torne-a memorável.

Respire fundo. Apresente-se e converse. A maior parte de nossa vida é feita por pessoas que estão ao nosso lado. Cuide de cada conversa. Ouça cada gesto. Observe a fala. Mas acima de tudo escute. Porque uma música sem "letra" não é poesia.

terça-feira, 15 de março de 2011

Espero...

Me pergunto se as pessoas são realmente capazes de esperar.

Esperar a pessoa que se ausentou por força maior de um destino sem perdão. Se somos capazes esperar pela saudade, amizade, amor. Capazes de ocupar a ausência com uma prece para a pessoa que partiu antes de nós. Porque esperar é ter esperança de encontro, reencontro, milagre.

Esperar sabendo que o tempo é o maior inimigo e amigo. Porque os segundos que passam podem ser a confirmação de algo e, os que ainda não passaram, nos impedem de acreditar. 

Tem pessoas que esperam sem distancia. Esperam sem riscos. Sem medo.

Por algum motivo esperamos porque acreditamos numa promessa sem palavras. Feita da alma com a alma. Não é preciso papel nem voz. Basta apenas esperarmos.

(Mesmo vivendo-a, sou incapaz de entendê-la.)

Ouçam a música "Espero - Reação em Cadeia": http://www.youtube.com/watch?v=hf2hN2YDXQs



segunda-feira, 14 de março de 2011

Será? (história - final)



As chamas no carro de alguma forma reconfortavam minha alma. Talvez seja um pensamento duro. Mas pela primeira vez senti que agora a justiça estava sendo feita. Mesmo que não diretamente por mim. 

Com a caixa em minhas mãos eu já sabia qual seria o meu destino, a empresa Gênesis. Mas antes deveria abri-la. Saber porque Henrique e seus pais morreram, porque Paulo César faleceu. E principalmente, porque tiraram a vida de Karen.

Entrei no meu carro. Pus a caixa de madeira no meu colo. Senti medo de abri-la. De saber a verdade. Mas a confissão do passado era maior que minha angústia. Abri. 

Ali estava um gravador com marcas de sangue e junto dele a foto de minha irmã, Mirela e dois outros rapazes. Cada uma focado apenas em seus rostos. Peguei o gravador preto e apertei play.

"Espero não ser identificado nesta conversa." - era a voz de Paulo César.
"Não. O senhor não será." - disse uma voz feminina.
"Vamos rápido. O que querem saber?" - perguntou o enfermeiro impaciente.
"Foi você quem estuprou a menina que está em coma na hospital?" - perguntou Karen.

 Ouve-se risadas cínicas.

"Vocês acreditam mesmo nisso? Que eu estuprei aquela menina?"

Ouve-se um tapa na cabeça do enfermeiro.

"Responda em vez de fazer perguntas." - uma voz masculina.

Silêncio por alguns segundos.

"É o seguinte. Me acusaram de estupro só porque eu ajudava a cuidar dela e porque a menina apareceu grávida. Mas se querem saber. Ela não tinha nenhum sinal de abuso. E sinceramente, seu eu realmente tivesse feito algo àquela coitada a família já teria me procurado. Não é mesmo?"

Silêncio

"E por que nosso amigo Marcelo, o jornalista que te procurou, foi assassinado logo depois de falar com você? - perguntou Karen.

Paulo César gaguejou e foi preciso um outro tapa na sua cabeça. 

"Responda!". - de novo a voz masculina.
"Aquele jornalista estava mexendo o dedo onde não era chamado. Nós já tínhamos tudo combinado e planejado. Ninguém estava desconfiando de nada. Mas só foi este jornalista de merda chegar. Que ferrou tudo."
"Nós?" - perguntou a voz feminina. Agora eu consegui identificar, era de Mirela. - "Quem são nós? E o que vocês quis dizer com "ferrou tudo"?"

Silêncio acompanhado de um tapa.

"Estou perdendo a paciência com este cara." - era a voz masculina.
"Para Pedro!" - voz de Karen - "Deixa ele falar."
"Já está tudo ferrado mesmo. Mas saibam que todos vamos morrer. - disse Paulo César. - "A empresa do seu querido irmão estava fazendo pesquisa com células tronco..."
"A empresa dele sempre fez isso." - falou Karen.
"É mas o problema é que eles estavam "criando fetos", se é que vocês me entendem?"

Silêncio. Uma rangido no chão como se uma cadeira estivesse sendo arrastada.

"Está me dizendo que a empresa Gênesis está engravidando mulheres em coma para ter células tronco embrionárias?" - a voz de Pedro.
"Até que vocês são inteligentes." - riu o enfermeiro.
"Desliga isso" . - a voz da minha irmã. - "Desliga agora".


Coloquei o gravador de volta na caixa. Meu pensamento tentava focar em um único raciocínio. Minha irmã e sua morte. Minha empresa e a ética. Paulo César e a mulher em coma. Embriões. Células tronco. E tudo dentro da Gênesis sem que eu soubesse de nada. Eu não poderia perder mais tempo nem mais vidas. 

Acelerei o carro da polícia na direção do meu destino. E no caminho lembranças me incomodavam. A morte da minha mãe quando eu e Karen ainda éramos pequenos. A ausência de nosso pai. A minha responsabilidade pelo patrimônio. O abandono que deixei minha irmã. Os seus pedidos de ajuda e meus ouvido cerrados. As mortes. E tudo pelo dinheiro. Pela imagem. Pela Gênesis.

Parei o carro no estacionamento e na janela do meu escritório, no vigésimo andar, pude ver a imagem meio distorcida de uma pessoa. A única pessoa que poderia me dar explicações. 

Os seguranças ficaram surpresos com a minha visita, mas nenhum impediu a minha entrada. Entrei no elevador. E de novo aqueles pensamentos voltaram a me atormentar. Mas foram interrompidos quando o elevador parou e o visor indicou o 20º andar.

Ali estava um homem de costas. Alto, loiro, moreno claro, de terno escuro e gravata vermelha. Meu sócio. Aurélio.

- Sabia que você viria aqui quando descobrisse tudo que aconteceu. - ele se adiantou.
- Você sempre soube. Seu filho da mãe.  - eu gritava. - Engravidou uma pessoa em coma, matou pessoas inocentes e o pior de tudo tirou a pessoa mais importante da minha vida. E tudo isso pelo o quê?
- Pelo futuro.
- Futuro? Isto é anti-ético.
- Tem certeza? - seu tom de voz ganhou algo similar com esperança. - Filha. Vem aqui conhecer um amigo do papai.

Na porta a sua esquerda saiu uma menininha de dois anos. Cabelo preto na altura do ombro. Usando um vestido rosa e segurando uma boneca.

- Karen. Dê "oi" ao amigo do papai.

Karen? Sim. Aquela era Karen. Minha irmãzinha pequenininha. Eu me lembrava dela. Tímida. Calada.

- Entende porque é o futuro. - disse ele com as mãos no ombro da criança. - Achava mesmo que eu mandei engravidar aquela menina do hospital apenas por células tronco? Lógico que não. - disse ele agora em um tom mais sério, mas sem assustar Karen. - Claro que eu precisava de células tronco embrionárias. Elas ajudaram a construir este ser. - colocou uma das mãos na cabeça da criança.

Eu estava perdendo o ar. Não consegui ligar uma coisa na outra.

- Sabe qual a única desvantagem desta técnica?  - disse ele parecendo triste. - É que são preciso duas vidas para se fazer uma. Algo que é comum na natureza humana. Mas não com tamanha perfeição. - abaixou-se a beijou o rosto de Karen. - Um clone perfeito. 
- Você é louco. - disse.
- Loucura? Você acha mesmo que seja loucura? - disse ele pedindo com o olhar que a "filha" se retirasse. - Loucura é ver irmãos se matando. Filho drogado assassinar pai e mãe. Loucura é você abandonar este império pela tola da sua irmã.
- Não ouse. - gritei.
- Eu te fiz um favor. Isso sim. - disse ele me apontando o dedo. - Tirei aquele peso que sua irmã era e ainda promovi este lugar. Karen estava se intrometendo onde não era chamada. Eu apenas juntei o útil ao agradável.

Eu não podia mais ouvir aquilo. Coloquei a mão atrás da cintura para pegar o objeto que faria minha justiça. Mas antes, porém, senti algo frio me tomando. E uma dor no abdômen promoveu um calor incontrolável. Aurélio me acertou com um tiro de pistola. Minha visão ia ficando turva e escura. Meu corpo ia se encharcando do meu sangue. Eu estava morrendo.

Ouvi a porta se abrindo. Mas não conseguia identificar quem era. Ouvia vozes como ruídos. Sem expressões. Meu corpo foi erguido por uma mão. E vi o rosto de um dos jovens que tinham a foto na caixa de madeira. Era Pedro. Apaguei.

***

Seis meses depois...

Estou na casa da minha irmã. Vendo-a brincar. Se é assim que posso dizer de seu clone. Aurélio pegou prisão perpétua e nenhum advogado pretende trabalhar no seu caso. Voltei a trabalhar na Gênesis, mas dedico a maior parte das pesquisas para causas sociais.

No dia do incidente, Pedro, colega de minha irmã, apareceu com policiais. Só depois de algum tempo é que vim a saber que ele era na verdade um agente federal disfarçado de jornalista. No dia em que encontrei com Paulo César ele havia me seguido. Disse-me que desconfiava da minha participação nas mortes. Mas que tinha que ter certeza. Ninguém, além de eu e Pedro, sabemos que a pequena Karen é um clone.

Sempre que olho Karen me pego fazendo perguntas sobre ela. Será que minha irmã realmente morreu? Ou será que ela esta viva? Será realmente ela?

E,às vezes, no meio da noite acordo assustado. Me perguntando: será possível renascer uma vida?